Preciso de esquecer.
Tirar-te de mim.
Arrancar o que me faz mal.
Impossível.
Isto é simplesmente impossível.
Sem futuro.
Magoa.
Dói.
Amo.
Mas odeio sentir-me assim.
Amarrada ao que nunca quis estar.
Amarrada a isto.
Um amor que dói.
Faz doer.
Adeus!
Vai-te embora!
Sai de mim.
Se for preciso eu arranco o coração.
Desde que saias de mim...
Não aguento mais!
É doentio.
Estou doida.
Completamente.
Dói tanto.
Mas tanto...
Não te quero aqui.
Não fazes falta.
Amor assim eu não gosto.
Deixa-me, por favor.
Bólinhas
Jéssica é uma rapariga como as outras. Quer dizer, como as outras entre aspas. Jéssica gosta de gajas. Mulheres. O semelhante atrai-a. Talvez por nunca ter tido uma relação com um homem. Ou então teve e não me contou (...)
Teresa (in)felizmente descobriu o pecado da carne.
No outro dia encontrei Jéssica em frente aos Armazéns do Chiado. Não, não estava a passear com os braços cobertos de sacos da Salsa nem da Bershka. Estava a pedir. A pedir dinheiro como aqueles que não têm casa. Chorei. Mas não foi por ela, entrou-me areia para o olho.
Maria do Mar perdeu a virgindade. Por vontade própria. Sempre achou o João um gajo bué bom. Não posso dizer o mesmo dele, só a vê como um pedaço de carne que naquele momento lhe satisfez o desejo.
Teresa foi internada.
Bólinhas
Era um país tão pequenino, tão pequenino que nem aparecia no mapa como os outros países. Mas este país pequenino era muito importante. Todos os seus habitantes eram muito felizes. Sabiam dizer umas palavras maravilhosas. Conheciam-nas muito bem e, sobretudo, sabiam vivê-las. Algumas dessas palavras eram:
Estou pronto a ajudar-te; Vamos brincar juntos; Vem comigo; Gosto de ti; Quero ver-te Feliz...
Naquele país havia muita Alegria porque todas as pessoas que ali viviam, eram essenciais entre si.
Bólinhas
Já pensei dar-te uma flor,
Com um bilhete,
Mas nem sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer,
Quando sorris p'ra mim,
Quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo,
Eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha,
Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à Lua,
Gosto de ti desde a Lua até aqui.
Gosto de ti simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Ando a ver se me decido,
Como te vou dizer,
Como hei-de te contar.
Até já fiz um avião,
Com um papel azul,
Mas voou da minha mão...
Vem jogar comigo um jogo,
Eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha,
Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à Lua,
Gosto de ti desde a Lua até aqui.
Gosto de ti simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Quantas vezes eu parei à tua porta,
Quantas vezes nem olhaste para mim,
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses,
Quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à Lua,
Gosto de ti desde a Lua até aqui.
Gosto de ti simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
André Sardet