O Blog d'uma tal Bólinhas...

ístórias da minha vida. Casos Reais. Factos verídicos dos quais 99,(9)% são imaginários.

Abro o paint e fico horas a olhar para a janela. Branco, branco e mais branco. É assim que a minha vida está. Branca, vazia, inútil, sem alma, transparente. Nada me faz feliz. Nada nem ninguém. Estou tão farta disto. Choro. Só choro. Como se um bocado de água que me sai dos olhos como que por magia resolvesse alguma coisa. Não muda nada. É doce. Ou salgada? Já não sei. Gostava de imaginar como seria tudo perfeito, mas não consigo. É tudo tão vago, agora. Já não me preocupo em mudar de parágrafo ou com a maneira como escrevo. E eu dava bastante importância a isso. Mudei. Não sei o porquê, mas mudei. Pode ser que seja para melhor. Também se não for que se lixe. Cansei-me. A Bólinhas fugiu e eu não a consegui apanhar. Deixei-a correr demasiado à minha frente. Se ao menos corresse logo talvez a pudesse alcançar, mas não, fiquei quieta. Agora não sei de nada. Nem de ninguém. Já nada me interessa. Nada. Absolutamente nada. Fraqueza, talvez. Sim sou bastante fraca.

Bué emo.

Daniela, por vezes assustas-me. Não por me fazeres mal, apenas por essas atitudes que eu não consigo compreender, essa escuridão que te consome, só te faz mal. Atitudes essas que, por mais que eu as ache incompreensíveis, te tornam única e insubstituível. Nunca te vi, nunca te toquei, nunca te abracei, mas sinceramente não sinto falta disso. Não pelo facto de não gostar de ti, apenas porque tu, mesmo sem estares aqui, estás dentro de mim, não tenho aquela necessidade de estar contigo.
És muito importante. Apesar de eu não o demonstrar. Sou assim, não faço por mal. Não mostro a ninguém…
Apenas te queria agradecer por fazeres parte da minha vida, por me ajudares e não pedires nada em troca, por apenas seres quem és e como és. Uma amiga para a vida. Mesmo que não seja a vida inteira, sei e digo com toda a certeza que vou sempre guardar-te em mim.

Amo-te minha Dannyzinha. Fazes muito, mas muito mais que o Sol.

O tempo passa e cada vez estás mais longe. Não longe do meu coração, sim longe de mim. Não consigo sentir o teu aroma, tocar-te, ouvir-te, abraçar-te. É tão difícil. Dava tudo para ter asas e ser livre, como uma gaivota, aquela que voa perto do mar, aquele mar que não sei porquê me traz recordações de ti. Queria poder voar até ti. Reviver todos os momentos vividos a teu lado. Nunca me tinha sentido assim perto de alguém. Fazes-me sentir livre, sem todas aquelas amarras que me prendem. Estas que só tu consegues soltar de mim. És tão perfeito! Dizem tretas do tipo "a perfeição não existe", mas é uma completa mentira. Tu sim és perfeito. Deste-me tudo de ti, dedicaste-te a mim a 100% sem querer nada em troca.
Às vezes consegues conhecer-me melhor que eu própria. Nunca ninguém o tinha feito.
Tento contar todos os segundinhos mais rápido, mas como o tempo só passa quando não precisamos nem queremos, eles insistem em não passar. Era tão bom poder passar todos os dias a teu lado... Só tu me compreendes. És e vais ser sempre o meu Francisco, independentemente do que as pessoas possam dizer. Vais ser feliz, tal como eu. A teu lado sinto-me tão bem, o teu olhar obriga-me a dizer as coisas mais estúpidas alguma vez ditas, só para espreitar esse sorriso encurralado por sentimentos imaturos, oferecidos por outras pessoas no passado...
A verdade é que fazes falta. Tanta falta quanta o Sol faz se não nasce às 6 e tal da manhã lá no fundo.

Saudade é uma palavra que me enche o vocabulário e o coração.

A rotina chateia-me.
Ter que fazer todos os dias as mesmas coisas.
Não gosto.
O que eu gosto é de acordar e fazer tudo o que não posso.
Sair da rotina, desrespeitar limites, obrigações, regras.
Gosto de te amar.
Gosto porque é algo que não consigo controlar, por mais que tente.
Amo-te sem querer, sem saber, sem que me dês nada em troca.
Não preciso de nada disso que agora enche a cabeça e o coração de pessoas vazias.
Sexo. Prazer. Traição. Mágua. Ódio.
A ti apenas te amo.
Mas não é aquele amor que há uns tempos foi banalizado.
Aquele "amo-te" tão usual numa conversa de msn como um "LOL".
Este "amo-te" é um que vem de dentro, vem do coração.
É realmente verdadeiro.
Sem segundas intenções.
Apenas porque tu tens a sorte de ser a melhor pessoa do mundo.

Maria do Mar gosta do João. João é um rapaz cá do bairro. João é alto, magro, musculado, simpático, querido, perfeito q.b. Maria do Mar ama-o. Se é que se pode dizer que Maria do Mar sabe o que é amar (...)

António e Antónia lá continuam concentrados na Violência Doméstica.

Maria do Mar entretém-se a ver "As tardes da Júlia". No outro dia dei com ela a chorar por causa de uma velhinha que estava no programa que não tinha ninguém na vida. Maria do Mar também não tem. Gostava de ter. A mãe Teresa continua nas suas andanças pela noite. Sexo. Sexo é tudo para Teresa. Cede por um pedaço de carne, algumas notas e gramas de coca.

Teresa é conhecida pela tatuagem que tem. Só os seus parceiros sexuais sabem onde ela está. Virilha é o lugar onde as mulheres da vida fazem as suas tatuagens. É um sítio considerado pêgo, sensual. Uma borboleta. Talvez para simbolizar que Teresa é livre. Livre demais até. Teresa tenta transparecer que é feliz assim, mas na verdade não é. O Sexo muitas vezes não chega. Sente falta de amor, amor verdadeiro. A única pessoa que alguma vez a amou de verdade foi Jéssica. Estavam dispostas a sair de Portugal para casarem, mas infelizmente Teresa descobriu os homens. Nunca mais quis saber da Jéssica.

Teresa uma vez relatou-me a experiência que teve numa destas noites num bar do B.A.

Entrou, como sempre, primeiro do que aquelas 58 pessoas que estavam na fila. Mal entrou encontrou o Marco. Marco é um daqueles 10 ou 11 gajos que provavelmente é pai de Maria do Mar.

-Tenho de ir à casa de banho. Vens comigo?

-Que se foda, vou.- diz Teresa como se já soubesse o que lhe esperava dentro daquelas quatro paredes.

Entram os dois no pequeno espaço sem luz e Teresa acende o seu isqueiro Zippo. Marco começa a preparar as linhas de coca em cima do autocolismo cheio de queimaduras de cigarros. Consomem-na até ao mais pequenino traço de pó mágico, com a ajuda de uma palhinha que trouxeram depois de beberam a primeira vodka da noite.

Passados uns minutos, a coca começa a dar frutos. Marco e Teresa saltam para a pista famintos. Dançam 8 músicas. Páram. Teresa desaparece por entre o fumo artificial e as centenas de pessoas. Parece que encontrou mais outra vítima.

Desta vez é uma gaja. Passa por ela, mas nem liga. Joana toca-lhe na mama.

-Olá!

-Olá!- responde Teresa, já com o efeito da coca.

-Tudo bem contigo, Teresa?

(Oh, foda-se não me lembro desta gaja. Será que já a comi? A cara dela não me é estranha, mas que se foda, se não comi vou comer.)

Teresa comeu-a, a última vez que a vi foi a entrar para a casa de banho das senhoras acompanhada pela Joana.

"Que se foda!", é a palavra de ordem da Teresa.

Teresa não gasta muito dinheiro à noite. Os seus "parceiros" pagam-lhe o que ela quer. Coca e Vodka. A sua vida resume-se a estas duas coisas.

Teresa fuma. Fuma tanto que consegue encher de fumo o quarto onde passa o dia. De noite, sai. De noite a casa não cheira a tabaco. Era bom que os odores fossem só do tabaco (...)

Teresa passa as noites no Bairro Alto. É a Rainha do B.A. Conhece toda a gente dessa vida. Não precisa esperar para entrar no Kremlin, Frágil, ou outro qualquer bar ou discoteca daquele bairro. Já 'comeu' os porteiros, já é da casa.

Já fez sexo com o B.A inteiro. Homens, mulheres. Tudo. Teresa, apesar de ter Maria do Mar, ter 40 e tal anos (acho qe são 40 e tal) vive como uma miúda com 15, 16 anos, daquelas que começam a descobrir-se.

Maria do Mar não conhece o pai. Teresa ainda acredita que seja possível ter uma filha e que ela tenha como pai uns 10 ou 11 tipos, com quem ela se lembra de ter relações sexuais naqueles dias próximos.

António e Antónia gostavam que ela fosse diferente. Pensaram que o facto de ter Maria do Mar a mudasse, mas nada. Teresa nunca vai deixar de ser assim. Está-lhe no sangue. Nasceu para dormir de dia e acordar à noite. É à noite que Teresa gosta de viver.

O Livro da minha vida.

Morcegos Libertinos Borboletas Nocturnas de Nelson Sacramento

Ora aqui está.

"- A felicidade não está em viver, mas em saber viver. Não vive mais o que mais vive, mas o que melhor vive." Mahatma Gandhi