Teresa não gosta do hospital. Nem há enfermeiras giras, nem enfermeiros. Neste momento já está por tudo, come carne masculina ou feminina, tanto faz.
Maria do Mar pensa todos os dias em tudo o que aconteceu naquele dia em especial. O sofá escorria sangue. O cobertor escorria sangue. O chão estava coberto de sangue. As roupas no chão também cobertas de sangue. Ah, afinal não tinham nada a cobri-los, estavam ao léu. A última vez que tinha jorrado assim tanto sangue foi quando caiu e bateu com a cabeça, partiu-a. Mas naquele dia em especial não foi da cabeça, foi de algo mais profundo.
Eu acho que ela está arrependida de ter perdido aquilo que só pode ter de volta com uma operação um bocado estranha que agora inventaram, mas ela diz que não. Só tenho que acreditar nela.
Lá no hospital onde a Teresa está, a televisão só funciona quando está na sic, ou seja, ela só vê novelas brasileiras. Até brasileiro já fala. Não bastava falar o português de Portugal mal falado, ainda fala o português do Brasil.
O António e a Antónia. Esses, já nem se conhecem. (Mesmo depois de não sei quantos anos juntos.)
Bólinhas
3 comentário/s:
ela está de volta :D
bue sangue :!
http://momentos-gritos-ou-desabafos.blogspot.com/
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